
R$ 4,90
80 páginas
A boa e velha proposta de revista mix com quadrinhos nacionais. E ainda me surpreendo quando vejo algo da Opera Graphica que não seja edição de luxo caríssima.
A primeira história, baseada num texto de Peter Kroptkin, A Prisão, é longa e um tanto cansativa, embora traga um reflexão válida sobre a prisão. A arte é bem feita, apesar de ser um pouco torta e desproporcional às vezes. De qualquer maneira, não deixa de ser um conto ilustrado, desvalorizando a linguagem da prosa e da HQ.
Em O Vira-lata - Crossroads, o conflito de classes provocado por um velho macumbeiro parece um tanto inverossímil, mas dá um ritmo que é quebrado no final, surpreendendo.
Pesquisa de Mercado é outra adaptação, dessa vez musical (ou seja, a perda é ainda maior). A arte, apesar do traço interessantíssimo, não acrescenta quase nada.
As HQs de uma página, Tango e A Seresta do que Resta, sequer merecem comentários.
Homo Burocratus tem uma idéia ótima e arte razoável, mas poucos momentos compensam a narrativa pesada de história ilustrada.
Chupacabra, de Shimamoto, é uma história de terror mais ou menos, trazendo uma interessante relação homem/monstro.
A Culpa é ambientada no universo da Zona Orgânica, muito válido, apesar de essa história não ser muito especial. O traço é muito bom, de qualquer maneira.
Sou suspeito pra falar de O Grande Desaponte, de Dadí, pois conta a história da Ponte Torta, daqui de Jundiaí. Porém o humor e graciosidade de Dadí são inegáveis.
Mundo Interior relaciona realidade e imaginação, surpreendendo no final, como toda boa história curta. A arte também é muito boa.
Yohuali Ehécatl tem a arte muito bem feita, mas traz aquela narrativa chata de história ilustrada, contando a história de um Quetzacotl arrependido.
Não Estamos Sós, de Mozart Couto, fecha a edição, com arte ótima e roteiro sci-fi bacana.
Concluindo, os roteiros variam entre ruins e medíocres, a arte, entre medíocre e boa, mas há exceções nos dois casos.


























