Quaquié?!

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Zé Gatão


1997
Roteiro e arte: Eduardo Schloesser
88 páginas

Zé Gatão é um felino ultra mega master blaster bombado e um tanto solitário, que vai parar na Cidade do Medo, onde é preso pelo ditador e obrigado a lutar na arena, enquanto se travam guerras de poder na cidade. Isso tudo se passa num mundo habitado por homens-animais diversos.

Estava em promoção na Fest Comix, mas, segundo a etiqueta, o preço original era R$ 20,00

Como uma HQ de ação, não é nada má. O desenho é muito bom, muita porrada e putaria, principalmente cabeças explodindo.

Mas há inverossimilhanças feias no roteiro, e a narrativa é só um pouco pesada (mas não é redundante, pelo menos). As discussões sociais são superficiais e infantis.

Mas repito, o desenho é muito bom e realista. E a cena com a participação de Pernalonga e Patolino merece destaque.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Palestra de Paulo Ramos na UFMG


Palestra de Paulo Ramos e Daniel Werneck muito firmeza, que foi exibida ao vivo no Quadrinho.com e agora pode ser vista online aqui.

Lei de publicação de quadrinhos, uso de quadrinhos nas escolas, quadrinhos Argentinos, comparação entre mercados japonês e europeu, webcomics versus impressos, adaptações literárias versus originais, profissão de ilustrador, questões sociais nos quadrinhos, conceito de texto, preconceito contra HQs. Esses temas são abordados com enorme competência em uma hora e quarenta de palestra.

A estrutura era meio fail, muitas vezes não se podia ouvir as perguntas, o que não era tão ruim, porque eram quase sempre enfadonhas.

Mas puta idéia bacana... Ah, se o Fest Comix gravasse suas palestras...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Kaos



Mantícora
2004
R$ 7,50 cada
80 páginas cada

Eu tinha comprado a #2 e a #3 no Fest Comix há muito tempo, mas não achava a #1 em lugar nenhum. Até que um dia, passando por acaso na frente do Sebo do Zé, lá estava ela, olhando pra mim, me chamando de querido. Daí essa merecida releitura e comentário.

Curioso, eu achava que fosse mais uma revista brasileira que não tivesse chegado muito longe. Que merda, uma revista tão boa... aí vi, numa entrevista com Sam Hart, que o projeto era só três edições mesmo! Que sucesso!

Há três séries fixas, com um capítulo em cada edição: Em A de Aluguel, com roteiro e arte de Sam Hart, as histórias são independentes, com uma pegada humana, e o ponto que as une, uma pedra misterios, nunca é de fato revelado, arte e narrativa muito boas. Meninos Perdidos, com roteiro de André Valente e Luiz Pereira e arte ótima de Caio Majado, é sobre um mundo pós-apocalíptico cheio de crianças órfãs e poucos adultos, sobrevivência em muito sentidos. O Homem que Tudo Vê, com roteiro de Jean Canesqui, arte de Anderson Cabral e argumento dos dois, é um cara que, para salvar a mulher, vende sua visão para uma rede de TV. Muita tramóia, muita sujeira, muita coisa que existe de verdade. Arte meio torta, mas combina com a vibe da HQ.

Há também HQs curtas: Guti Gutz(#1), com roteiro e arte fodas de Roger Cruz, é uma paródia ao gênero guerreiras gostosas. Bifurcações (#2), de Jean Canesqui e Julia Bax, relacionamentos, vidas que se cruzam. FF (#2) é sobre um fotógrafo jornalístico que vê a vida em câmera lenta. Belasco, dono de circo e milagreiro de Jean Canesqui, é o único que tem duas Hqs curtas, uma introdutória, com arte de Sandro Castelli e Akio Fujigawa, e outra divertidíssima de Julia Bax (#3).

Vale dizer que todas essas HQs, apesar do nível geral alto, têm algumas falhas, e algumas não são mesmo tão boas.

Vejam uma coisa, meus leitores sabem que eu sempre reclamo de caixa de narrativa pesadas, e tal, mas esse pessoal conseguiu usar esse artifício de maneira sábia. No primeiro capítulo de A de Aluguel, há caixas de narrativa apenas no movimento entre uma cena e outra, com as reflexões do protagonista. No primeiro capítulo de Meninos Perdidos, o texto mostra uma narrativa, e as imagens, outra, que se unem no fim. A primeira de Belasco se aproxima muito de uma história ilustrada, mas não é pleonástica. O Homem que Tudo vê tem muito disso, mas o texto é sempre complementar, com a ironia do personagem. E de qualquer forma, as histórias são boas, isso é o que mais importa.

Há também boas entrevistas, com Alan Moore e Marcelo Cassaro (#1), David Lloyd e Lourenço Mutarelli (#2) e Dave Gibbons e Luiz Gê (#3), sendo as de Moore e Gê as mais gordas e gostosas, e a de Mutarelli a mais curta e seca.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

As Aventuras do Gugu #10


Seqüência
Roteiro e arte: Mó galera
Cz$ 4,00
32 páginas

Olha a capa! Não resisti, tive que comprar, pura curiosidade mórbida.

Mas me surpreendi. Há inconsistência no traço (de vários artistas, sem se preocupar em manter um padrão, variando entre bom e não tão bom) e no roteiro, tendo histórias muito ruins e outras muito divertidas.

Mas o destaque é a história da capa. Provavelmente não tinha tanta graça na época em que foi lançada, quanto tem hoje. A graça maior está nos valores, tanto da visão que se tinha sobre os punks, seres maus e fedidos, quanto das fãs do Gugu, periguetes que eu não conseguiria definir aqui.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Belém Imaginária


Casa Velha
Roteiro e arte: Carlos Paul, Fernando Augusto, Otoniel Oliveira, Volney Nazareno
64 páginas

Segundo o UHQ, é de 2004 e custava R$ 15,00. Mas hoje não se acha pra comprar em lugar nenhum, tive a sorte de encontrar essa belezinha por R$ 5,00 na Gibi Jundiaí.

É a história de um menino que acorda um dia numa Belém mística e folclórica e encontra quem queira ajudá-lo a voltar pra casa, e também quem queira seu mal...

A HQ apenas resvala pelo educativo chato, para chegar a um roteiro rico da cultura amazônica, além de uma aventura muito bem amarrada.

Mas incrível mesmo é a arte a oito mãos! Os enquadramentos, os contrastes, as expressões, os detalhes de arte indígena... tudo absurdamente lindo! Aqui tem algumas imagens.