Quaquié?!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Suporte_


http://vidadesuporte.com.br/
Roteiro e Arte: André Farias

A premissa é boa, o título é bacana e algumas das tirinhas são bastante engraçadas. Muito provavelmente, apenas quem trabalha ou já trabalhou com suporte, ou até mesmo quem tem uma noção um tanto avançada de informática, entenderá totalmente as tirinhas e achará graça na maioria delas. O próprio título, por exemplo, só é sacado por certas pessoas.

Mas não é isso que tira o mérito da série. Embora algumas das tirinhas sejam muito boas e me façam rir e lembrar da minha infeliz época de atendente de suporte, a maioria delas tem um final muito previsível. Além disso, outras parecem um tanto forçadas, embora eu saiba perfeitamente que determinados usuários possam ser ainda mais burros do que as tirinhas os fazem parecer. Mas certas situações funcionam melhor quando contadas em uma rodinha de amigos, como casos reais, e podem não funcionar muito bem em tirinhas. Minha opinião, claro, já que conheço quem se mate de rir com as tirinhas de André, e por isso as considero realmente boas. Talvez o problema esteja em mim e no trauma que essa maldita área me deixou...

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Talentos do Mangá #1


Escala/Frente!
Artistas: Tabby Kink, Alexandra Teixeira "Shampoo", Eddie Van Feu e Carolina Mylius
80 páginas
R$ 2,90

Realmente, lembrando de outras revistas do gênero, essa me surpreendeu.

Pena que são só primeiros capítulos, fiquei sem saber o fim de todas histórias. =/

A primeira história, Hot Witchcraft, tem uma arte bem feita e com muita personalidade. Conta como um vampiro perde seus poderes e descobre como recuperá-los. O roteiro é original, interessante, comédia com um pusta timing, e gancho que prende no final.

Em mais de um texto, a Mangá Booken é erroneamente citada como a primeira revista brasileira de mangá. Mas sabemos que Claudio Seto já fazia mangá aqui nos anos 70.

A segunda história, Meu Melhor Amigo, tem dois capítulos. É uma comédia romântica meio clichê, mas tem um roteiro complexo e bem amarrado. A arte é competente, apesar de algumas tortices aqui e ali. Nunca vi tantos erros de crase juntos. E não deixei de notar o pôster do Depeche na página 41. ;D

Em As Aventuras de Ricardo Coração de Dragão, um jovem casal é transportado para um mundo mágico, com feiticeiras e dragões. Arte mangá meio padrão e muito competente. Roteiro engraçado e aparentemente bem amarrado.

Vale notar que os editores vão colocando frases engraçadas no rodapé de algumas páginas, incentivando a participação dos leitores na escolha das HQs que ganhariam séries próprias.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Overdose Homeopática


http://www.overdosehomeopatica.com/
Roteiro e Arte: Marco Oliveira

Começando pelo título genial, Overdose Homeopática é uma das melhores séries de tirinhas online que já vi. De humor escrachado, não toca em assuntos muito polêmicos, mas mostra nojices e coisinhas pornográficas aos montes. Algumas tirinhas são mais leves, dependendo do que o leitor considera leve, é claro.

Pelo que observo nos comentários do Blog, a maioria dos leitores consegue enxergar uma ou duas referências. Particularmente, as tirinhas me lembraram muito o trabalho da série americana The Perry Bible Fellowship, pela diversidade de temas e mudança frequente do traço de uma tirinha para a outra, mesmo que não tão grande quanto nas tirinhas gringas. O pessoal comenta bastante da similaridade com o traço de Crumb. Eu já acho essa tirinha acima totalmente Laerte, e consigo vê-lo em outras também, mesmo que de leve. Até Orlandeli eu vejo em uma tirinha ou outra... claro, tudo com uma grande dose adicional de escrotidão da melhor categoria.

Embora já tivesse visto algumas das tirinhas no Jacaré Banguela, acho, conheci mesmo o trabalho de Marco Oliveira através da indicação de Marcelo Saravá, autor do Sátiras, já comentado aqui no Blog, que teve uma participação em certas tiras.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Canalha Especial #1


Opera Graphica
Roteiro e arte: mor galera
48 páginas
R$ 9,90

O mote é "pra que não torce pelo mocinho". Histórias de bandidos.

Sempre suspeite quando querem te vender algo como edição de colecionador: geralmente, ou é encalhe encadernado, ou é pseudochic, uma roupagem luxuosa para algo que nem sempre o é. Vendem a idéia de tiragem limitada como se fosse uma atitude exclusivista (o que já não é bom), e não por falta de quem compre. Este álbum nem é tão caro, nem tão luxuoso, pelo padrão da Opera Graphica, mas podia ser um pouco mais barato.

Três da histórias são longas e chatas, com narrativa pesada, mas, ainda assim, têm um final muito interessante. Há uma de Angeli e Laerte muito pequena e muito boa. A melhor de todas, em todos aspectos é Tempestade sobre a Montanha (da qual vem o desenho da capa), de Wander Antunes e José Aguiar. É essa que parece explorar melhor o sentimento e a mente humanas.

A arte varia muito em estilo, mas tem qualidade ao longo de todo o álbum.

Acho até que eu deveria dar nota 3. Mas não consigo.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Cratos Universe #1


Prior
Roteiro: Calos E. T. Pellegrino
Arte: Marcos R. Schmidt
28 páginas
R$ 3,00

Pff... por onde começar?

É sobre uma civilização avançada, na qual as pessoas alcançaram a imortalidade. Eles descobrem um novo planeta, e a idéia de estudá-lo agita os ânimos.

Acho que o primeiro erro foi começar pelo começo. Foi bom para mostrar o mundo onde se passa a história, mas toda a discussão sobre explorar ou não o novo planeta, que deveria criar um suspense, não prende o leitor.

Tanto a linguagem dos personagens quanto a narrativa e a fala do narrador são pretensiosos, pedantes, confusos. Se, por um lado, os recortes de jornais ajudam familiarizar o leitor com aquele universo de maneira interessante, as partes de quadrinhos "normais" são às vezes caóticos, às vezes sem conteúdo.

O único ponto forte é talvez o desenho, com um estilo muito próprio, sombrio, detalhado, ao mesmo tempo que difuso. Mas a proposta artística geral não acompanha. Narrativa tediosa, parada. Blocos monocromáticos de narração destoando do desenho.

Ok, talvez a série como um todo seja melhor. Mas nem tenho vontade de descobrir.